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Semana Nacional do Livro e da Biblioteca
Carta publicada no Jornal de Londrina em 01/11/2008
Na semana que passou, comemorou-se a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca. A Biblioteca Pública Municipal de Londrina, ao contrário dos Postos de Saúde e das Bibliotecas Escolares, não conta com verba do SUS nem Fundeb para aquisição de livros. A cidade é classificada como de médio porte e está fora das políticas nacionais específicas para o setor. Vontade política, mais que orçamento municipal é que determina o quanto vai ser investido no sistema, que hoje conta com 4 unidades e 110 mil livros.
Em 2001, uma idéia foi proposta ao secretário Bernardo Pellegrini. O início das compras regulares de livros poderia ser precedido com a compra dos 10 livros de literatura mais vendidos dos últimos 10 anos, ficção e não-ficção, não adquiridos nos períodos anteriores. Por uma série de motivos, inclusive por títulos já esgotados, a idéia não teve sucesso e poucos títulos vieram. A última grande compra continua sendo a do governo José Richa (1973-1977). O acervo tem crescido graças à generosidade dos londrinenses nas doações regulares e por campanhas de empresas que sabem a importância de uma biblioteca pública para a cidade.
Pouco antes da hecatombe do Legislativo, uma Comissão de Cultura daquela Casa visitou a Biblioteca. Na ocasião, foram explicitadas não somente necessidades, mas projetos que há anos esperam atenção dos gestores municipais, como por exemplo, os relacionados à história de Londrina, em documentos únicos dos quais é guardiã. Nada foi obtido junto àqueles vereadores. Coincidência ou não, todos foram rejeitados nas urnas. Comissões como essa têm a missão constitucional de fiscalizar o Executivo e jamais permitir que prefeitos passassem 4 anos sem comprar um único exemplar, o que aconteceu por duas vezes nos últimos 31 anos.
Diferentemente dos serviços de saúde, a Biblioteca não oferece remédio para o corpo, mas pode proporcionar alívio para a alma. Aventura, ação, viagens, comédia, drama, pesquisa, lazer e muito mais ao custo de uma foto para tornar-se sócio. Sem distinção de cor, raça, crença, opção sexual ou política, é um espaço democrático quase tão antigo quanto o município de Londrina. Num cálculo para o então secretário de Fazenda, hoje ministro Paulo Bernardo, para justificar a assinatura de 26 periódicos, provou-se o fantástico custo-benefício de R$ 0,07/leitor/ano em virtude do 1/2 milhão de usuários atendidos anualmente em suas quatro unidades.
Escrito por zeluiz às 06h22
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“O Soco silencioso das urnas”
Carta publicada no Jornal de Londrina em 10/2008 Talvez por vício de formação, sociólogos tentam esquematizar e formular equações para algo dificilmente equacionável como a política, conforme artigo do Prof. Cezar Bueno em 09/10. No que se refere às opções de candidatos a prefeito, apresentadas ao eleitorado londrinense, o quadro pouco mudou de 1992 até hoje. Ressalte-se que foram a 2ª e 4ª tentativas de Barbosa e Hauly, respectivamente, no primeiro turno da eleição.
Sobre militância partidária, aquela ideológica e não remunerada, pós-carapintadas, tornou-se tema para romantismo político ou estudo paleontológico. Ela migrou, assalariada, sob a forma de nomeações, cargos comissionados e outras denominações, alastrando-se para os três poderes da república. Avessa a concurso público, as parcelas restantes, abrigam-se em convênios e/ou projetos em ONG’s espalhadas por todo o Brasil, navegando ao sabor da simpatia dos mandatos executivos.
No que se refere à falta da administração Nedson no programa eleitoral, abordada várias vezes no JL, teve-se a impressão em determinado momento da campanha, de que o jargão da oposição de que “a cidade estava parada”, havia sido incorporada por parte do núcleo da campanha petista. O que obviamente não é verdade. Mesmo o mais crítico, teria que levar em conta várias realizações do mandato Nedson. A dinâmica empresarial, para aqueles mais renitentes, também pôde em alguns casos, avançar independentemente das ações locais. Nos momentos finais da campanha, um belo material impresso sobre as realizações do governo local foi distribuído. Não se sabe se o atraso daquela divulgação se deu por conta da elaboração propriamente dita ou por outro motivo.
Para não concluir, a indisposição da administração com parcela da sociedade organizada, principalmente as que envolveram a ACIL, tiveram paralelo no executivo e legislativo municipais. Postura equivocada e sem precedentes de parcela significativa de mandatários das duas casas, causaram espécie aos funcionários de carreira nesse longo período. Desse modo, o “soco silencioso das urnas” invocado no artigo, remete inevitavelmente à pergunta: Para quem, cara pálida? José Luiz Alves Nunes é funcionário público do município de Londrina e professor de Geografia
Escrito por zeluiz às 20h52
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Biblioteca Pública
Carta publicada no Jornal de Londrina em 12/10/2008
Na semana em que a Biblioteca Pública Municipal de Londrina completou 57 anos, escrevi uma carta ao JL que enumerava conquistas e desilusões nos muitos anos dedicados a ela juntamente com algumas dezenas de funcionários que aqui trabalham. Não é muito fácil ser simultaneamente funcionário e cidadão, pois o corporativismo tende a impregnar-se após estar muito tempo no mesmo lugar. Aí não há grande distinção se a pessoa está numa empresa pública ou privada. Mesmo correndo esse risco, não é possível se omitir dos acontecimentos citados na carta sobre a ausência de aquisição de livros para a Biblioteca. Sempre que possível, deve-se evitar as palavras sempre e nunca, mas neste caso, pode-se afirmar que nunca houve uma política de aquisição continuada de acervo para a Biblioteca, que teve seu começo, como na maioria das iniciativas similares, por doações de livros. Frise-se que as doações são imprescindíveis. Para comprovar, basta dizer que o acervo total das 4 unidades da Diretoria de Bibliotecas, alcançam hoje 170 mil livros para uma compra muito inferior a 10 mil livros, no espaço de mais de 25 anos pesquisados entre 1985 a 2008. Em outras palavras, a comunidade londrinense colaborou com 95% do total do acervo, o poder público, 5%. Os problemas da Biblioteca não se resumem na aquisição de acervo. Há também uma série de outros serviços prestados por ela por meio do setor de periódicos (jornais e revistas), acesso gratuito à Internet, espaço para exposições, lançamento de livros e outros que poderiam ser fomentados caso houvesse estrutura para tanto. O orçamento da Secretaria direcionado ao PROMIC e convênios fragilizaram não apenas a Biblioteca Pública, mas toda a estrutura organizacional da secretaria, refletindo na falta de recursos humanos e materiais. Funcionários que se aposentaram ou mesmo os que faleceram não foram substituídos. A manutenção dos prédios históricos da sede da Secretaria e do Museu de Arte, obras do incomparável Villanova Artigas, estão em situação deplorável. Mas qual seria o papel da Biblioteca nos dias de hoje? Questiona-se qual o público atendido, a falta de informatização e outras questões. Perguntava o mesmo há 21 anos quando e vi documentos em condições precárias, armazenados no porão onde antigamente ficavam os presos à espera de julgamento no Salão do Júri, quando o prédio abrigou o Fórum na década de 50. Quantas pessoas entram só para ir ao banheiro ou para ler o painel de empregos. A Biblioteca viu seu público despencar de 3.000 para 1.500 nesses 20 anos. Definir o papel da Biblioteca parece ser primordial para perpetuar sua existência. Iniciar por uma pesquisa e elaborar um Plano Diretor parece ser fundamental. Antes que alguém vislumbre outro destino para o prédio e dilua seu patrimônio pelos bairros da cidade. José Luiz Alves Nunes é funcionário público do município de Londrina e professor de Geografia
Escrito por zeluiz às 20h51
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Rascunho 1 – Senha 117
Incrível como um tempo desperdiçado pode servir pra gente reparar em bastante coisa! Por exemplo, fui no médico, e estava numa salinha de espera. Depois de medir a pressão e o peso, achei que já ia ser atendido, porque não tinha ninguém na primeira sala, mas fui pra outra sala de espera com um menino e o pai dele. Minha mãe me chamou a atenção para o vidro que tinha um detalhe que parecia estar quebrado (até agora não tenho certeza se estava mesmo quebrado). Mas enfim, depois de observar um pouco o vidro, comecei a reparar que tinha um monte de coisas estranhas naquela salinha! Tinha duas cadeiras de um lado, uma de frente (sentei nessa), um sofá do lado para 3 pessoas, e do lado de atravessado, um outro sofá, para 2 pessoas. E quando eu cheguei, tinha um papelzinho branco com um vinco no meio, do tamanho de uma nota fiscal. Mas nem me interessei em ver o que era. Depois de reparar na janela, olhei no chão no pé das 2 cadeiras que estavam na minha frente. Tinha uma daquelas tomadinhas de telefone, e o fio vinha do teto, mas não tinha telefone lá! E no pé da outra cadeira tinha um cabo preto, saindo de dentro do chão, de uns 20 cm. Não tenho a mínima idéia de que cabo era aquele. Continuei a procurar coisas estranhas. Quando olhei pra cima, comecei a rir (baixo, para não chamar a atenção). Tinha um daqueles espelhos redondos que tem dentro do ônibus em um ponto estratégico. Devia servir pra de longe quem estava na sala, mas não tinha espelho! Era só a armação! Só tinha um fundo com papel pardo. E o pai do menino não parava de mostrar umas fotos da revista que ele estava lendo. Era uma daquelas da TAM, que eles só distribuem no avião! E tinha um monte daquelas! E além de ter a veja (claro, que sala de espera que não tem? haahuuhahuauha), elas estavam todas em cima de uma daquelas mesinhas de telefone! E a melhor de todas (que foi o que me inspirou a escrever isso). Além das revistas da TAM e das Vejas, tinha LISTAS TELEFÔNICAS! Quem, numa sala de espera vai falar “ah, dexa eu dar uma lida aqui nessa lista telefônica”?! Comecei a rir, mas logo parei senão iam achar que eu era louco. Mas eu tinha certeza que mais ninguém tinha reparado naquilo, por isso que dava até mais graça. Ah é, depois que eu fui chamado eu não agüentei, e tinha que ver o que estava escrito naquele papelzinho. A coisa mais óbvia! Senha: 117.
Escrito por Carlos José Alves Nunes às 21h04
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Olimpíadas e Paraolimpíadas
Carta publicada no Jornal de Londrina em 12/09/2008
Michael Phelps bateu recentemente o recorde de Mark Spitz, 36 anos depois da Olimpíada de Munique em 1972. É injusto fazer qualquer tipo de comparação entre atletas, pois os momentos são completamente diferentes e a tecnologia disponível hoje, preparação, roupas, uma parafernália infindável, torna o feito de Spitz e não o de Phelps, ainda mais espetacular. Incomparável também, é o feito de Daniel Dias, nascido com malformação congênita, sem as mãos e a perna direita. Queria futebol, mas quis o destino que ele fosse para a natação há quatro, sim quatro anos atrás! Em declaração ao canal SporTV, disse que aprendeu os 4 estilos (medley) em quatro meses e, sorriso inconfundível, mostrou o ouro conquistado na prova. Ate o momento, cravou 4 das oito medalhas de ouro do Brasil, mais uma prata e o bronze no revezamento 4X50. Em tempo: A vida de Antonio Tenório, judoca cego, tetraatleta paraolímpico em 1996, 2000, 2004 e Beijing, vai virar filme.
Escrito por zeluiz às 05h57
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Renovação na Câmara?
Carta publicada no Jornal de Londrina em 08/09/2008
Primeiramente quero parabenizar a excelente cobertura do JL para as eleições municipais. Lamentar que pesquisas encomendadas por veículos tradicionais de informação em anos anteriores, simplesmente tenham sumido. Assim, valem os dados da única coleta realizada no levantamento Ibope/RPC de 12/08. Pouco para uma cidade da importância de Londrina. Objetivando, não dá para acreditar em renovação significativa da Câmara de Londrina. Em primeiro lugar, porque alguns poucos vereadores, muito poucos, passaram ilesos da recente hecatombe do Legislativo e tem essa justificativa para retornar. Os denunciados pelo MP somados a outros já conhecidos, tem visibilidade e força política em seus partidos e eleitores. Num terceiro grupo insere-se uma renovação a partir da atividade exercida, espécie de “jabaculê às avessas” no horário eleitoral. Nos três grupos, há promessas incompatíveis ao cargo pleiteado. Propaganda enganosa está prevista no Art. 37 do Código de Defesa do Consumidor. Esses cidadãos merecem ser excluídos pelo voto. Ainda que o pleito seja legítimo a todos que estejam aptos e em dia com suas obrigações cívicas.
Escrito por zeluiz às 06h22
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Falta de mão-de-obra
Carta publicada no Jornal de Londrina em 10/09/2008
Excelentes as matérias do JL no final de Agosto, acerca da falta de mão-de-obra em Londrina. Na coluna ponto-de-vista, Luciano Nakabashi e Lízia de Figueiredo, analisaram tecnologia e capital humano. O problema da qualificação da mão-de-obra, no entanto, está longe de ser resolvido apenas com os cursos profissionalizantes. Treinamento para funções específicas como de um pedreiro azulejista ou um operador de máquinas apresentam resultados imediatos, não resta dúvida. Ganhos para o trabalhador e para a empresa, porém, pouco soma às habilidades necessárias para o mercado dinâmico e globalizado dos dias atuais. O problema tende a se repetir um pouco mais à frente. O diferencial a ser perseguido encontra-se na educação básica. Somente ela pode criar cidadãos com capacidade de abstração suficiente para detectar similaridades de funções e adaptá-las rapidamente a novos desafios ou abreviar tempos de treinamento. Imaginar e sugerir novas soluções, situação ideal, exige treino que muitas vezes não se concretiza no momento do trabalho. Coisas inexplicáveis podem acontecer num “ócio produtivo”. Este pode ocorrer na hora do cafezinho, no cochilo após o almoço ou após a jornada de trabalho. Basta uma pequena sinapse cerebral e pronto, o problema está mentalmente resolvido. Expressões tais “como não pensei nisso antes?”, são recorrentes. Nas situações relativas a acidentes no trabalho, por exemplo, encontra-se, baixa estima do funcionário, o não cumprimento das rotinas de segurança e o não conhecimento de instruções básicas, normalmente encontradas em máquinas ou equipamentos. Pode-se confundir “más larga”, expressão para comprimento em espanhol, com “largura” em português. “Hazardous area”, expressão inglesa para local perigoso pode ser ignorada. Falta escolaridade. O Ministério da Previdência Social (2007) informava cerca de R$ 40 bilhões gastos com acidentes de trabalho anualmente no Brasil, R$ 2 bilhões no Paraná. A indústria de transformação, o setor de transportes e a construção civil estão entre os que mais vitimam trabalhadores. Daria para construir 1.000.000 casas de R$ 40 mil. Suficiente para zerar o déficit habitacional do Brasil em 25 anos. Uma base sólida de conhecimento, porém, não se consegue com 4,9 anos de escolaridade. A Argentina tem quase o dobro, 8 anos, os Estados Unidos 11 e a Coréia do Sul 12 anos nos bancos escolares. O investimento de 4,3% do PIB do Brasil deveria ser no mínimo dobrado. Escolas preparadas para um mundo globalizado contrastam com a realidade de professores desestimulados por salários incompatíveis, recursos que muitas vezes se resumem ao giz e a sala de aula, quando existem. A Coréia do Sul saiu de uma guerra fratricida há 60 anos e investiu durante décadas em educação. Não significa acreditar cegamente naquele modelo, mas o fato de acreditarem no projeto e priorizado a educação, rendeu resultados. Em 2000, o país exportava U$ 155 bilhões contra U$ 55 bilhões do Brasil. Contava com 46,8 milhões de habitantes e uma taxa de crescimento populacional de 0,8% ao ano.
Escrito por zeluiz às 19h49
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Parabéns Biblioteca Municipal
Carta publicada no Jornal de Londrina em 03/09/2008
A cinquentona completa 57 anos nesta quarta-feira. Parabéns pela teimosia em funcionar na era da pesquisa virtual, dos resultados obtidos instantaneamente ao clique do “mouse”. Parabéns mais ainda aos londrinenses, incluindo-se aí iniciativas empresariais como as do RPC/JL e Caixa, por exemplo, que sempre fizeram a diferença para que o acervo de suas quatro unidades: Pública; Infantil; Vila Nova e do Centro Cultural da Região Norte, alcançassem hoje um acervo de mais de 100 mil exemplares. É um feito espetacular se comparado aos menos de 10 mil livros adquiridos pelas administrações dos últimos 25 anos, pois a Biblioteca não recebe “verba carimbada” para ampliação de acervo. Parabéns aos funcionários de todas as unidades, aos aposentados, aos familiares dos já falecidos. Boas vindas às bibliotecárias recentemente aprovadas, que sua chegada coincida com uma nova era, com a informatização tanto desejada, a implantação de uma biblioteca digital, a recuperação dos documentos históricos, o compromisso dos próximos prefeitos de aquisição continuada de acervo e muito mais que não foi possível ser concretizado até hoje.
Escrito por zeluiz às 08h16
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Beijin 2008: espetáculo de que?
Versão original de carta publicada no Jornal de Londrina em 26/08/2008
Reportagem exibida pela televisão, mostrou a filosofia da preparação da equipe chinesa. O exercício de psicólogos e psiquiatras é proibido, mas sua delegação não hesitou em lançar mão desses e outros profissionais para obter sucesso nos jogos. Uma repórter brasileira citava competições surpresa, como algo espetacular para treinar o controle metal de seus atletas, nas mais diferentes condições de adversidade. Na verdade, um massacre e a total falta de respeito do Estado ao indivíduo, ao ignorar que naquele corpo em treinamento, há um ser humano, que eventualmente é um atleta, e não o contrário. Esse tipo de preparação não deve servir de modelo para ninguém, sequer admirado. Estima-se ainda em U$ 40 bilhões os investimentos na olimpíada de Beijin, que preferiu parar fábricas e trânsito por 17 dias e arcar com os prejuízos decorrentes, que cuidar das questões ambientais que quase causaram cancelamento de provas. Perfil duramente criticado, já foi vivido por EUA e Europa há 50 anos, quando até rios pegavam fogo de tanta poluição.
Escrito por zeluiz às 08h15
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Futebol brasileiro
Versão original de carta publicada no Jornal de Londrina em 21/08/2008
Juro que não sou coveiro e quando o JL publicou minha carta em 17/08, imaginei a possibilidade do futebol masculino não passar pela Argentina e fiquei preocupado. Muito antes da CPI da Nike não ter sido sequer votada em 2001, não havia mais motivos para torcer pela seleção brasileira. Não tem nada de anti-patriotismo barato. Contratos de centenas de milhões de dólares têm muita influencia sobre mentes e almas. O presidente da CBF garantiu seu mandato até 2015. É verdade que 25 anos no cargo, o colocará em companhias nada agradáveis como Fidel, Pinochet e Stroessner. O esporte paixão nacional não merecia tal destino. Se pudesse pedir algo ao presidente pré-sal, seria que ele convocasse a Nike para que com 10% do que vai pro futebol, por exemplo, fosse alocado para um “fundo soberano” ao esporte brasileiro, mas aplicado diretamente nas escolas/centros esportivos, para primeiro massificar e depois qualificar. O resultado vem em menos de 25 anos. A China está provando isso. E viva futebol feminino, pátria de chuteiras, calcinhas, soutiens, esmaltes nas unhas..
Escrito por zeluiz às 08h14
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Jogos Olímpicos
Versão original de carta publicada no Jornal de Londrina em 17/08/2008
Os equívocos da política esportiva no país vêm muito antes de Beijing 2008. No sétimo dia de competições atrás de Azerbaijão, Cazaquistão e Zimbábue, faz pensar que benefício ao esporte brasileiro, pode se esperar de uma Olimpíada no Rio em 2016? Quem sabe quanto foi gasto no Pan/2007, cujo orçamento saltou de R$ 400 milhões, no envio do projeto à Organização Desportiva em 2002, para incertos R$ 3 ou 4 bilhões. A maioria das instalações foram esquecidas, os governos ignoram a palavra “manutenção”, tanto a material quanto os recursos humanos. O governo federal poderia interferir positivamente, mas a cartolagem das federações e o COB tem mais poder e os atletas, protagonistas do espetáculo, pouco podem fazer. Ketleyn Quadros, deixou R$ 800 mensais do bolsa atleta federal em Ceilândia(DF), para um salário de R$ 1.200 e toda a estrutura do Minas Tênis em BH. A Nike/CBF despejam milhões para o futebol por uma vaidade inédita que vale 1 ouro para a equipe de 23 atletas. O Azerbaijão fez uma medalha de ouro com apenas 1 judoca.
Escrito por zeluiz às 08h13
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Candidatos de si mesmos
Saindo de uma loja fui abordado por um candidato a vereador. No santinho, quer criar mais postos de saúde 24 horas, atrair empregos para a cidade, etc. Nada sobre aprimoramento e/ou supressão das leis casuístas, que sangram a câmara municipal há meses! Insisto sobre a inutilidade de tantos representantes legislativos, nos três níveis de poder. Legislativo não atua sobre matéria financeira caros e/leitores. Quando o faz, resulta na promiscuidade das emendas parlamentares, no toma lá dá cá,das votações, fato diário na imprensa. Estudiosos afirmam acerca da submissão histórica do legislativo ao executivo. A maioria esmagadora das leis do executivo passa incólume nas câmaras, apoiada na “base de apoio”, atropelando sua principal atribuição constitucional. Judiciário, ministério público, OAB´s tentam colocar as coisas nos trilhos. O esforço é gigantesco, mas os resultados nem sempre. Candidatos de si mesmos enganam a eles e a quem prometem representar. Merecem ser excluídos pelo voto. Fazem propaganda enganosa, prevista no Art. 30 do Código de Defesa do Consumidor.
Escrito por zeluiz às 08h11
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A pirataria e o efeito manada
Versão original de carta publicada no Jornal de Londrina em 07/2008
Muitos devem se lembrar da febre das locadoras de vídeo, das lojas de 1,99, dos bufês de sorvete e das lan houses. A lista é extensa e não é necessário se alongar. Pois bem, este é o conhecido efeito manada. Pessoas acreditam que alguém “enricou” e vão cegamente atrás. O amigo leitor deve conhecer quem cansou-se de baixos salários, por exemplo, e com o acerto, financiou isto ou aquilo e foi atrás do sucesso. Também comprou um carro, celular, roupas, afinal fulano e beltrano ficaram ricos e com certeza ele sendo trabalhador também vai, não é mesmo? Nem sempre. Fiz uma conta com um amigo há algum tempo, sobre o caso das lan houses. Ele não concordou, achou que estava exagerando. É que eu não acreditava na sobrevivência delas com locações abaixo de R$ 2,00. Não remuneraria nem o capital! No caso dos DVD´s de 5 por R$ 10,00, percebe-se que o processo de autofagia está acelerado. Seria capaz de apostar que se as grandes gravadoras se unissem aos magazines numa oferta arrasadora por pelo menos 6 meses, o mercado pirata de CD´s e DVD’s minguaria. Mas não morreria, seria transferido para outra atividade. Pirataria e contrabando remontam à história do homem. Hoje estão globalizadas. Nas estatísticas, a China é campeã mundial da pirataria.
Escrito por zeluiz às 08h11
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“Renovando a Câmara Municipal (Os vereadores)”
Versão original de carta publicada no Jornal de Londrina em 07/2008
Esperei pacientemente que alguém tocasse nos assuntos reeleição, fiscalização e no dia 15/07, o leitor Tochitane Mitsi, chegou lá. Quando escrevi sobre as leis, após pesquisa no sítio da Câmara, percebi que a melhor forma de restringir a possibilidade das velhas práticas se perpetuarem, seria uma maior vigilância da sociedade organizada, incluindo aí a OAB, Acil, etc. e não somente deixar ao MP e GAECO, a solução para uma avalanche de problemas ocorridos no legislativo municipal, que culminaram na atual crise. A pergunta que se faz é: a renovação pura e simples ajuda se a forma com que as coisas têm sido feitas continuarem as mesmas? A tarefa do eleitor vai ser árdua em 5 de outubro, mas faz parte do exercício democrático. Quando alunos questionavam sobre eleições, os convidava a somar quantos anos o Brasil teve de eleições democráticas versus quanto havia decorrido desde a colonização até a república pós-ditadura e era muito pouco treino democrático. Para essas eleições, o TSE informa que apenas 3,49% dos 130 milhões de eleitores brasileiros, cerca de 4,5 milhões de pessoas, concluíram algum curso superior. Não que estudo resolva tudo, mas é bem mais que meio caminho andado. Afinal, queiramos ou não, nossos políticos espelham nossa sociedade.
Escrito por zeluiz às 08h10
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“Estatística na Câmara Municipal”
Versão original de carta publicada no Jornal de Londrina em 10/07/2008.
Consultando o mecanismo de pesquisas no sítio da Câmara Municipal de Londrina, me deparei com alguns dados muito interessantes de como os vereadores manobraram para que as aprovações de loteamentos ficassem, digamos, mais próximas a seus domínios. De 1984 para 1997 as alterações foram tantas, que desconfiguraram a idéia original e os cuidados que o legislador teve e que garantiam à época, a participação dos moradores e representantes da sociedade civil, para consultas sobre a alteração das categorias de classificação de residencial para comercial e seus níveis em seus bairros. O problema maior é que esta é uma prerrogativa constitucional, mas que foi vilipendiada pela ação corrupta de agentes públicos que agora vem à tona pela ação do Ministério Público. Para encerrar, escolhi aleatoriamente dez temas para checar quantas vezes retornavam no campo de busca “Leis”. Em décimo lugar, idoso com 44; 09º) menor com 47; 08º) mulher, 83; 07º) segurança, 96; 06º) trabalho, 110; 05º) educação, 287; 04º) desenvolvimento, 413; 03º) saúde, 429; 02º) assistência social, 488 e em primeiríssimo lugar zoneamento, com 718 ocorrências. Ainda bem que o Legislativo não versa sobre matéria financeira, não diretamente. Em tempo: essa pesquisa não tem qualquer cunho científico!
Escrito por zeluiz às 05h22
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